domingo, 7 de dezembro de 2014

AOS AMIGOS QUE VOTARAM NO AÉCIO




Aos amigos que estão “proibindo” os eleitores de Dilma de reclamar do atual governo e vociferando que as passeatas do ano passado foram em vão...me permitam fazer algumas observações:

Entendam que o processo democrático é assim senhores, e independentemente de onde venham os votos estes devem ter o mesmo peso. É o único momento em que pobres, ricos, negros, brancos, índios, homossexuais, travestis são valorados teoricamente da mesma forma. Talvez isto possa incomodar alguns, ávidos por voltarmos ao século passado com o voto censitário. Talvez alguns sintam saudades dos tempos onde somente os “senhores” votavam e nunca os “escravos”. E outros estão saudosos das décadas dos governadores biônicos (e esta palavra não está relacionada a super-heróis "pasmen!").

Queridos amigos, fico feliz em dizer que este tempo já passou. Vocês estão atrasados e desatualizados.

Aos colegas que citaram frases de autores que talvez nunca leram, aproximando os eleitores de Dilma a porcos, digo que reflitam e pensem no sentido destas palavras, assim como na obra do referido autor, talvez vocês possam se surpreender com seu real significado.

Aos companheiros que acusaram os eleitores de Dilma de cúmplices, eu digo que não terei o mesmo comportamento com vocês. Pois, não acho que são cúmplices de helicópteros de cocaína, também não são cúmplices do trensalão, tampouco compactuam com a contratação de servidores sem concurso, meus companheiros acredito na boa fé de vocês. E quando se dizem “pessoas de bem” (ohh!) quero crer que não estão se colocando acima dos seus irmãos que votaram de maneira diferente.

Algumas pessoas não conseguem entender como após as passeatas de 2013, o povo ainda elege a Sra. Dilma. A vocês apenas pergunto: da onde tiraram esta conclusão de que as pessoas que foram as ruas no ano passado, acreditavam que o PSDB seria a solução? Desde quando este partido se apresentou como uma boa resposta? Acreditem, se vocês acharam isso, grande parte da população brasileira pensou diferente. E pensar diferente é um direito. Embora eu ache ingênuo acreditar que o PSDB seria a resposta à corrupção, em nenhum momento critico a posição política de vocês.

Aos que estão de luto, ou estão a esbravejar sua história dura de vida no facebook, como se isso fizesse de vocês melhores que os eleitores da Dilma, eu digo: amigos se vocês estudaram e não precisaram de bolsas...parabéns e palmas a vocês (clap, clap clap!).

Mas tem gente que nunca precisou também e votou na Dilma. Sua história seja você juiz, promotor, professor ou pedreiro não é melhor do que a de NENHUM eleitor de Dilma. Nenhum.

Talvez você se surpreenda, mas você também não é mais intelectualizado que os eleitores de Dilma, talvez aceitar isso seria um passo para vermos que tanto aecistas ou dilmistas são pessoas comuns, com seus defeitos e suas qualidades. Sem dualismos, sem bem e mal, talvez aceitar que pontos de vista podem ser diferentes ajude a todos nós a entendermos essa eleição.

Não diga que está satisfeito por que 48% do país acordou, pois se for assim eu estou dormindo, como tantos outros amigos e parentes seus. Saiba que falar isso é soberba, é tentar se colocar em uma situação de superioridade, pra quê? Você precisa mesmo disso para auto-afirmar seu voto?

Posso ter errado ao votar em Dilma, mas você também pode ter errado ao votar no Aécio. Já pensou nisso? O que te faz melhor do que eu hoje? Acredito que existem grandes chances de nós dois estarmos totalmente equivocados.
Mas devemos estar certos em uma coisa, você não é melhor que eu, somos iguais. Essa igualdade as vezes é difícil mesmo de aceitar, mas é necessário.

Não seja puritano, os dois partidos são corruptos, eu optei pela inclusão social, você optou por um choque de gestão. São argumentos válidos e todos puderam escolher.
Não espero continuar amigo de todos, pois alguns preconceitos, racismos e humilhações foram fortes demais, mas quero pelo menos continuar a conviver da melhor maneira possível com vocês.

Estou errado eu confesso, mas talvez todos estamos.